Pesquisa revela STF polarizado: Toffoli reprovado e Mendonça na alta

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mar, 26 2026

A confiança no Judiciário mais alto do país não está apenas abalada; ela parece estar em colapso. Uma nova pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, coloca o Supremo Tribunal Federal sob um holofote brutal da opinião pública. Os números mostram uma Corte dividida, com ministros recebendo tratamento oposto pela população: enquanto alguns veem sua imagem subir, outros enfrentam índices de rejeição historicamente altos.

O cenário é dominado por duas figuras antagônicas. De um lado, André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, lidera a aprovação positiva. Do outro, Dias Toffoli, enfrenta a maior rejeição individual registrada, com 81% das pessoas vendo-o negativamente. A diferença não é mero acaso; ela reflete o desgaste acumulado em torno de escândalos como o caso do Banco Master.

Números que expõem a crise da Corte

O levantamento foi feito entre 16 e 19 de março por instituto parceiro do jornal O Estado de S.Paulo, com entrevistas presenciais e telefônicas. Foram ouvidos 2.090 brasileiros, com margem de erro pequena, mas significativa para captar mudanças bruscas de sentimento público. O que salta aos olhos é a volatilidade dos dados comparados a agosto de 2025.

André Mendonça é o único ministro com saldo positivo absoluto hoje. Ele soma 43% de aprovação contra 36% de reprovação. Isso é surpreendente considerando o contexto político atual, onde polarização costuma manchar qualquer figura pública proeminente. Mas o quadro para Toffoli é desolador. Em menos de sete meses, sua rejeição saltou de 50% para 81%. É uma curva negativa íngreme, quase vertical.

Analisando as causas, especialistas apontam para a sobre-exposição em casos de corrupção. A percepção de leniência em julgamentos anteriores, combinada com suspeitas atuais de envolvimento direto com irregularidades bancárias, criou um ambiente tóxico em torno da presidência do magistrado. Segundo dados do próprio estudo, quase metade dos entrevistados defende impeachment imediato de Toffoli.

Rastro de desgastes entre os colegas

A tempestade não poupou apenas Toffoli. A contaminação política e jurídica espalhou-se pela Corte. Gilmar Mendes, veterano do tribunal, agora lidera a rejeição entre os pares fora da faixa extrema, com 67% de imagem negativa. Já Alexandre de Moraes, que vinha mostrando estabilidade, viu seus números virarem. Sua aprovação caiu de 49% para 37%, enquanto a rejeição subiu para 59%.

Edson Fachin, presidente da instituição, também sentiu o impacto. Com apenas 27% de aprovação, ele mantém um déficit preocupante junto à opinião pública. Curiosamente, ainda há um bloco de 20% que diz "não saber opinar", o que sugere que parte do eleitorado desconhece profundamente quem comanda o Executivo Judicial. Isso pode ser perigoso se essas pessoas precisarem votar em propostas futuras.

Há um fio de luz para alguns nomes. Liz Fux conseguiu melhorar seu índice, subindo de 31% para 39% de aprovação. Mesmo assim, continua com saldo negativo. Flávio Dino aparece como exceção relativa, mantendo 40% de aprovação, ocupando a segunda posição no ranking de bons sentimentos, apesar das críticas de juristas a certas decisões tomadas recentemente.

O impacto do escândalo do Banco Master

O impacto do escândalo do Banco Master

Era previsível que um escândalo financeiro desse tamanho atingiria a imagem institucional. O suposto envolvimento da Corte em processos ligados ao Banco Master funcionou como o gatilho final para a perda de credibilidade. Uma pesquisa paralela do mesmo instituto revela que seis em cada dez brasileiros não confiam mais no STF.

É importante entender a dimensão disso. Quando instituições centrais do Estado perdem a confiança, o risco social aumenta. A percepção de conivência entre os membros da Corte, especialmente quanto à manutenção de Toffoli como relator de processos sensíveis, alimentou a tese de que o sistema se protege internamente. Isso gera um ciclo vicioso de desconfiança generalizada.

Para onde vai a Justiça brasileira?

Para onde vai a Justiça brasileira?

O ano de 2026 promete ser decisivo. Com pressão legislativa crescendo e setores da sociedade exigindo transparência, a manutenção da integridade do tribunal passa por testes rigorosos. Especialistas indicam que sem medidas drásticas de afastamento de envolvidos e purga interna, a reputação do judiciário pode ficar permanentemente manchada.

Os próximos meses serão cruciais. A possibilidade de novos pedidos de impedimento e investigações formais pode alterar o mapa político do Brasil antes das eleições presidenciais. A população, hoje cética, cobrará accountability real, e não apenas promessas retóricas. A confiança, quando quebrada, exige muito esforço para ser reconstruída.

Perguntas Frequentes

Qual o método usado na pesquisa sobre o STF?

O estudo foi conduzido pelo AtlasIntel em parceria com O Estado de S.Paulo, entre 16 e 19 de março de 2026. Eles entrevistaram 2.090 pessoas através de metodologias mistas, garantindo uma margem de erro estatística de dois pontos percentuais.

Por que Toffoli tem tantos detratores?

A rejeição histórica de Toffoli está ligada principalmente à percepção pública de envolvimento com o caso Master e acusações de parcialidade em julgamentos de corrupção. Seu índice subiu drasticamente desde 2025.

Existe apoio popular para impeachments?

Sim, os dados mostram que 49,3% dos brasileiros defendem o impeachment imediato de Toffoli. Outros 33,7% apoiam a destituição caso provas sejam apresentadas, totalizando uma maioria favorável à punição severa.

Qual a confiança geral no Supremo Tribunal Federal?

A situação é crítica. Uma medição separada indica que 60% da população não confia na instituição. Esse é o maior índice de desaprovação já registrado na série histórica da mesma consultoria.