Advogado da JBS assume resort do Toffoli em PR por R$ 11,5 mi

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mai, 5 2026

O cenário de poder no norte do Paraná acabou de mudar. Paulo Humberto Costa, advogado com laços históricos ao grupo J&F (JBS), agora é o dono absoluto do Tayayá Resort. A propriedade, situada em Ribeirão Claro, era anteriormente conhecida como "resort do Toffoli" devido às ações dos familiares do ministro do STF, Dias Toffoli.

A transação não foi simples. Os registros indicam que as negociações começaram em dezembro de 2024 e se estenderam até setembro de 2025. O valor total movimentado pelas empresas do grupo Batista para o escritório de advocacia de Goiânia foi de R$ 11,5 milhões, segundo relatório do Coaf. É um dinheiro que muda o jogo.

Quem é o novo dono?

Costa não é apenas qualquer advogado. Ele atua pelo grupo Joesley e Wesley Batista desde 2008. Sua rede de contatos é densa: sócio de Renato Mauro Mendes Costa, presidente da Freeboy (empresa dos irmãos Batista), e também parceiro de Gabriel Pais Fortes, casado com José Batista Júnior, irmão mais velho dos donos da JBS.

Aqui está a pegadinha: em outubro de 2025, a própria JBS comunicou ao escritório de Costa que deixaria de usar seus serviços para novos casos, citando sua crescente dedicação às atividades empresárias. Ou seja, ele saiu da defensiva jurídica para entrar na ofensiva imobiliária.

Os números por trás da compra

Os detalhes financeiros revelam uma estrutura complexa:

  • Total transferido: R$ 11,5 milhões das empresas do grupo Batista para o escritório em Goiânia.
  • Compra direta: Costa adquiriu participação da Marid Participações por R$ 3,5 milhões.
  • Fundo de investimento: O Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia injetou R$ 4,3 milhões para comprar cotas do resort, conforme registros da CVM de outubro de 2025.

Costa negociou e comprou todas as ações pertencentes aos familiares do ministro — dois irmãos e um primo. Agora, ele detém o controle total da empresa hoteleira.

O resort e o escândalo do cassino

O resort e o escândalo do cassino

O Tayayá Resort não é apenas um lugar para nadar. Construído originalmente pelos irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio, o local ganhou notoriedade negativa recentemente. Um cassino foi inaugurado no final de 2025, num evento onde o craque Ronaldo Fenômeno esteve presente.

Mas a festa teve uma nota dissonante. Reportagens da Gazeta do Povo mostraram 14 máquinas de jogos sem controle de acesso. Jornalistas observaram crianças brincando lado a lado com adultos consumindo álcool. Para um estabelecimento que cobra cerca de R$ 2.000 por diária em apartamentos simples, a falta de barreira entre lazer infantil e apostas é chocante.

Costa defende sua gestão dizendo que o investimento visa transformar o Tayayá em um dos maiores complexos turísticos da região. Ele afirma que os jogos são permitidos, mas sem incentivo ou interferência no jogo — uma afirmação difícil de acreditar diante das imagens publicadas.

Toffoli ainda visita?

Aqui mora a questão política. Apesar da venda, fontes indicam que o ministro Dias Toffoli continua frequentando o resort. E não como um hóspede comum. Relatórios sugerem tratamento diferenciado: helipade exclusivo e acesso a recursos indisponíveis para outros hóspedes. A ministra Cármen Lúcia também teria visitado o local.

A conexão se aprofunda com o escândalo do Banco Master. Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (dono do banco irregular), havia adquirido ações do hotel antes da consolidação da compra por Costa. As linhas de financiamento e influência parecem se entrelaçar de forma turbulenta.

A resposta oficial

A resposta oficial

Diante das perguntas da CNN Brasil, a JBS manteve a distância profissional:

"O escritório do advogado mencionado defendeu a empresa em ações no estado de Goiás. Nem a companhia, nem os acionistas, possuem qualquer relação com as empresas citadas ou com qualquer outro negócio do advogado."

A Gazeta do Povo procurou o resort e o ministro Toffoli para comentários, mas o silêncio prevalece enquanto isso. A história, inicialmente reportada pelo portal Metrópoles, continua gerando ondas no jornalismo investigativo brasileiro.

Perguntas Frequentes

Quanto custou a aquisição do Tayayá Resort?

As empresas do grupo Batista transferiram R$ 11,5 milhões para o escritório de advocacia de Paulo Humberto Costa. Destes, R$ 3,5 milhões foram pagos diretamente pela participação da Marid Participações, e R$ 4,3 milhões vieram do fundo de investimento Arleen, conforme registros da CVM.

Qual é a relação de Paulo Humberto Costa com a JBS?

Costa atuou como advogado do grupo J&F (JBS) desde 2008. No entanto, em outubro de 2025, a JBS informou que deixaria de contratar seus serviços para novos casos devido à sua dedicação crescente a negócios próprios, incluindo a gestão do resort.

O ministro Dias Toffoli ainda tem vínculo com o resort?

Embora não possua mais ações, relatos indicam que o ministro Dias Toffoli continua visitando o Tayayá Resort frequentemente. Ele supostamente recebe privilégios exclusivos, como uso de helipade privado, diferenciando-se dos demais hóspedes.

O que houve com o cassino do resort?

Um cassino foi inaugurado no final de 2025. Investigadores constataram a presença de 14 máquinas de jogos sem controle de idade, permitindo que crianças acessassem áreas onde adultos consumiam álcool, levantando questões sobre a conformidade legal e ética do estabelecimento.

A JBS nega envolvimento no negócio do resort?

Sim. A JBS declarou oficialmente que nem a empresa nem seus acionistas têm qualquer relação com os negócios do advogado Paulo Humberto Costa, limitando o vínculo passado apenas à defesa jurídica em ações no estado de Goiás.

7 Comentários
  • Robério Figueiredo
    Robério Figueiredo maio 6, 2026 AT 17:37

    Isso aqui não é coincidência, é um roteiro. O Toffoli não vendeu nada, ele apenas mudou o nome do proprietário para lavagem de imagem.

    Esses advogados da JBS são os verdadeiros donos do país. Eles compram resorts, influenciam juízes e depois dizem que não têm nada a ver com o negócio.

    Vocês ainda acreditam na democracia? É tudo uma fachada para esconder onde o dinheiro sujo vai parar.

    O cassino lá é só a ponta do iceberg. Tem muito mais coisa rolando nos bastidores que nunca vamos saber porque a imprensa é cúmplice.

  • Camila Sehn
    Camila Sehn maio 7, 2026 AT 06:32

    Acho absurdo que as pessoas se escandalizem com isso. Se o dinheiro é limpo, por que importar-se com quem comprou?

    Além disso, a JBS já negou qualquer vínculo atual. Então estão atacando o advogado sem provas concretas de corrupção direta.

    Parece que querem transformar todo investimento imobiliário em um crime moral. Isso é apenas especulação sensacionalista da mídia tentando criar inimigos imaginários.

  • Jéssica Santana
    Jéssica Santana maio 7, 2026 AT 21:42

    naum entendi direito mas parece q ta tudo errado la
    o tffoli continua indo? isso nao e estranho?
    e as crianças jogando nas maquinas?? como assim??
    precisamos investigar mais isso pq nao faz sentido

  • Letícia Gomes
    Letícia Gomes maio 8, 2026 AT 17:17

    É patético ver essa falta de refinamento intelectual nos comentários anteriores. A questão não é apenas sobre 'dinheiro sujo', como gostam de simplificar grosseiramente, mas sobre a estrutura sistêmica de privilégios que permeia nossa elite jurídica e empresarial.

    O fato de o ministro manter acesso preferencial, incluindo helipade exclusivo, demonstra uma continuidade de benefícios indevidos que transcende a mera propriedade legal. Ignorar essas nuances é ignorar a realidade do poder concentrado.

    Enquanto uns reclamam sem entender o mecanismo, outros se calam para preservar suas próprias conexões. A hipocrisia é a única constante nesse teatro nacional.

  • Adriano Lima
    Adriano Lima maio 9, 2026 AT 18:45

    Esse é o Brasil que queremos? Advogados bilionários comprando resorts enquanto o povo sofre?

    É uma vergonha nacional. A JBS deveria ser punida por deixar seus ex-advogados lucrarem dessa forma obscena.

    Não aceitamos mais essa ditadura financeira. Precisamos de leis mais rígidas contra esse tipo de enriquecimento ilícito disfarçado de negócio legítimo.

    O governo está dormindo enquanto esses corruptos celebram no norte do Paraná.

  • Raphael Goutmann
    Raphael Goutmann maio 11, 2026 AT 17:49

    Olhem, eu acho que precisamos ter calma aqui. É claro que existe uma rede de influência, ninguém nega isso. Mas dizer que é tudo conspiração também não ajuda.

    O importante é que a transparência seja exigida. Se o Toffoli vai ao resort, que pague como qualquer hóspede. Se o advogado comprou com dinheiro próprio, que declare.

    A complexidade dos fundos de investimento, como o Arleen, mostra que há uma tentativa de estruturar negócios de forma sofisticada, não necessariamente ilegal, mas certamente opaca.

    Nós precisamos de fiscalização real, não de ódio cego. Vamos cobrar respostas claras das autoridades competentes sobre o uso do helipade e a segregação das áreas infantis no cassino. Isso é o que realmente importa para a sociedade.

  • Steffany Damasceno
    Steffany Damasceno maio 12, 2026 AT 21:19

    Conforme os registros da CVM mencionados no artigo, a participação do fundo Arleen foi formalizada corretamente. Do ponto de vista jurídico, a transferência de ativos entre empresas privadas, desde que documentada, é lícita.

    No entanto, a questão ética referente à presença de menores em áreas de jogos de azar é preocupante e deve ser avaliada pelos órgãos reguladores estaduais. A responsabilidade civil pode ser acionada caso haja comprovação de negligência na fiscalização de idade.

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