TJSP nega HC de Deolane Bezerra e ela segue presa por lavagem de dinheiro
jun, 9 2026
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) fechou a porta da liberdade para Deolane Bezerra, advogada e influenciadora digital em uma decisão liminar no domingo, 24 de maio de 2026. A advogada permanece sob custódia na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, após o tribunal negar seu pedido de habeas corpus contra a prisão preventiva decretada na quinta-feira anterior. O caso, que envolve acusações graves de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando do Capital (PCC), já passou pelo crivo do Supremo Tribunal Federal (STF), onde também foi rejeitada.
Aqui está o cenário: Deolane não está presa em uma cela comum. Graças à sua inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela ocupa uma "sala de Estado-Maior" — uma espécie de apartamento privativo dentro da prisão, garantido pelo Estatuto da Advocacia para profissionais da área antes de condenação definitiva. É um detalhe burocrático que gera polêmica, mas a realidade jurídica é clara: enquanto não há sentença final, as prerrogativas profissionais se mantêm, mesmo com as investigações quentes.
A Rede de Empresas Fantasmas
O que levou uma figura pública com milhões de seguidores às grades? Segundo as apurações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, Deolane seria peça central em uma estrutura financeira sofisticada usada pela facção criminosa. As investigações revelaram que ela teria aberto nada menos que 35 empresas fantasmas, todas registradas no mesmo endereço físico. O objetivo? Dar aparência de legalidade a recursos ilícitos, ou seja, lavar o dinheiro do crime organizado.
As autoridades apontam vínculos estreitos entre a influenciadora e um suposto "gestor fantasma" de uma transportadora sob investigação. Em trechos do inquérito obtidos pela imprensa, a Polícia Civil classifica Deolane como integrante do PCC, afirmando que ela desempenha um papel "central" na gestão financeira da organização. A conexão direta com a cúpula do grupo passaria por Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder Marcola, que reside em Madri, na Espanha.
Negativa em Cascata nas Cortes Superiores
A defesa tentou todas as vias possíveis nos últimos dias para soltar a cliente, mas encontrou muros jurídicos sólidos. Antes da negativa do TJSP, o ministro Flávio Dino, ministro do STF rejeitou um pedido de prisão domiciliar. Para Dino, não havia "ilegalidade evidente" ou "manifesta ilegalidade" que justificasse uma intervenção excepcional da Corte Suprema para rever a medida cautelar.
Na sexta-feira (23), outro pedido de habeas corpus foi protocolado na justiça paulista, mas o magistrado responsável entendeu não ter competência para julgar, arquivando a petição naquele juízo específico. Na sexta-feira anterior (22), o próprio TJSP já havia negado um primeiro habeas corpus. A estratégia agora da defesa é aguardar o julgamento do mérito do recurso no TJSP e avaliar um possível recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Versão da Defesa: Apenas um Honorário?
Do outro lado da mesa, a narrativa é completamente diferente. Deolane Bezerra nega veementemente qualquer envolvimento com crimes organizados. Sua defesa sustenta que ela estava apenas exercendo sua profissão. Segundo ela, os questionamentos sobre sua origem de renda teriam relação com um serviço advocatício pontual prestado a um cliente, pelo qual recebeu R$ 24 mil. É essa discrepância entre a escala das acusações (dezenas de empresas fantasmas e laços com o PCC) e a explicação da defesa (um único honorário) que alimenta a complexidade do caso.
Este não é o primeiro capítulo turbulento na vida pública de Deolane. Reportagens indicam que esta é a segunda vez que ela enfrenta prisões em menos de dois anos, embora os detalhes da ocorrência anterior não tenham sido detalhados nas últimas notícias. O contraste entre sua imagem nas redes sociais e as alegações de criminalidade organizada cria um pano de fundo tenso para o julgamento futuro.
O Que Acontece Agora?
Com a liminar negada, o relógio começa a correr para o julgamento de mérito. Não há data marcada ainda para esse julgamento no TJSP, nem para eventuais recursos no STJ. Enquanto isso, Deolane continua isolada em Tupi Paulista, longe do holofote das câmeras, mas ainda no centro de uma das maiores operações contra a corrupção e lavagem de capitais envolvendo figuras públicas em São Paulo.
Perguntas Frequentes
Por que Deolane Bezerra está presa em uma sala especial?
Como advogada inscrita na OAB, ela possui prerrogativas funcionais previstas no Estatuto da Advocacia. Isso garante que, até uma condenação definitiva em segunda instância, ela não possa ser misturada com a população carcerária geral, ficando alojada em uma sala de Estado-Maior ou cela individual.
Qual é a acusação principal contra a influenciadora?
A Polícia Civil investiga Deolane por suposta participação em esquema de lavagem de dinheiro do PCC. As investigações apontam que ela abriu 35 empresas fantasmas em um único endereço para ocultar a origem de recursos ilícitos da facção criminosa.
O STF já analisou o caso?
Sim. O ministro Flávio Dino negou um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa. Ele considerou que não havia ilegalidade manifesta na decisão de manter a prisão preventiva, recusando-se a intervir excepcionalmente no processo estadual.
Qual é a próxima etapa jurídica para a defesa?
A defesa aguarda o julgamento do mérito do habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Caso a decisão final mantenha a prisão, eles avaliam a possibilidade de recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a medida.
O que a defesa diz sobre as acusações?
Deolane Bezerra nega qualquer vínculo com crimes organizados. Ela afirma que os valores questionados provêm de um trabalho advocatício legítimo realizado para um cliente, pelo qual recebeu R$ 24 mil em honorários profissionais.